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Fisioterapeuta

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Santos, São Paulo, Brazil
Fisioterapeuta formado pela Universidade Santa Cecília-Unisanta, pós-graduado como especialista em Reabilitação Neurológica, Ambulatorial e Hospitalar pela Universidade Federal de São Paulo- Unifesp.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Conheça um pouco sobre o Acidente Vascular Encefálico (AVE).

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é definido como um desenvolvimento de sinais clínicos de distúrbios focais, por vezes global, da função cerebral durante mais de 24 horas, que pode ocasionar a morte sem nenhuma outra causa aparente que a origem vascular. O Acidente Vascular Encefálico é uma das principais causas de morte natural e a primeira de incapacidade física e mental desde os anos 60, e em São Paulo desde os anos 40. Aproximadamente 125.000 de brasileiros sofrem um novo AVE ou recorrência, a cada ano, e cerca de 25% deles morrem. Nos Estados Unidos é considerada a terceira causa de morte, atingindo anualmente 700.000 novos casos. 
Sua incidência é maior nos idosos, sendo duas a três vezes mais freqüentes naqueles com idade superior a 85 anos, quando comparados à faixa etária de 65 a 74 anos. A sua incidência também é elevada nos homens e em indivíduos da etnia negra.
Alguns fatores que são determinantes no AVE podem ser divididos em dois grupos: fatores de risco não-modificáveis e fatores de risco modificáveis. Nos fatores de risco não-modificáveis podemos incluir, sexo, etnia e idade. Sendo a idade o fator de maior risco. Dentre os fatores de risco modificáveis estão inclusos: a hipertensão, cardiopatias, diabetes mellitus, hipercolesterolemia, inatividade física, tabagismo, abuso de álcool, estenose carotídea assintomática e história de Ataque Isquêmico Transitório (AIT).
Apesar de muitos avanços feitos para a prevenção do AVE, este continua sendo umas das doenças mais comuns, principalmente em idosos. A morbidade em metade das pessoas após AVE, tem como conseqüência déficits neurológicos, incluindo perdas físicas, emocionais e cognitivas. Dentre os problemas acarretados de um AVE, a hemiplegia é o fator mais freqüente, entretanto, problemas na comunicação, visão, déficits perceptuias e sensitivos são também encontrados. Classificada como uma doença crônica,  afeta não somente a pessoa com a lesão, mas a família e a sua integração na sociedade. A sobrevida das pessoas pós-AVE vem aumentando nos últimos anos e com isso a necessidade do seu retorno à sociedade.
Ainda é muito discutido a duração do tempo do tratamento que deve ser aplicado na recuperação e reabilitação do pós-AVE, bem como a sua efetividade na qualidade de vida dos pacientes, por isso, muitos trabalhos têm sido feitos buscando tais resultados. O termo qualidade de vida é definido, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (The World Health Organization Quality of Life Assesment 1995), como a percepção das pessoas de sua posição de vida, dentro do contexto da cultura e sistema de valores que elas vivem e em relação aos seus objetivos, expectativas e padrões. A investigação da qualidade de vida é útil não só para o melhor entendimento da recuperação da saúde ou suporte de saúde dado, mas também para avaliação da eficácia do tratamento terapêutico.
Existem vários critérios de avaliação para a qualidade de vida, motivo pelo qual várias pesquisas adotam um conceito multidimensional. Um “consenso” encontrado é a avaliação  de certos fatores: físicos, funcionais, psicológicos e de saúde. No entanto uma forma simples de se resolver esse problema de definição é perguntar ao paciente: “O que você considera qualidade de vida?”.
Várias escalas são utilizadas para tentar mensurar a qualidade de vida, entre elas podemos citar: COOP Charts, McMaster Health Index Questionare, Nottingham Health Profile, Sickness Impact Profile, Medical Outcomes Study 20-Item Short-Form Health Survey, Karnofsky Performance Status Scale, Quality of Life Index, Euroqol, Quality of Well-being Scale, Frenchay Activities Index (17), Assessment of Quality of Life (20) e Survey 36-item short-form health survey (SF 36).

Alguns estudos avaliam a qualidade de vida, os fatores que a influenciam e as variáveis que podem indicar bom ou mal prognóstico. Dentre estes destacam-se: idade, tempo de início de tratamento, intensidade de tratamento, suporte familiar, sexo do paciente, lado, tipo e extensão da lesão encefálica.
Não existe uma correlação entre horas de terapias com qualidade de vida e melhora funcional da marcha, pois os estudos geralmente avaliam o tempo de permanência do paciente com AVE em uma instituição e não a qualidade de vida propriamente dita. Contudo, em estudo realizado por Hopman foi observada uma melhora na qualidade de vida durante o tempo de reabilitação em todos os seus aspectos, de acordo com a SF-36. Como os déficits neurológicos e as seqüelas de AVE afetam a qualidade de vida, pode-se dizer que a reabilitação tem como prioridade reduzir tais déficits e seqüelas e melhorar a qualidade de vida.
Patel e colaboradores realizaram uma série de casos que mostram a melhora na qualidade de vida de pacientes pós-AVE durante 6 meses, utilizando três escalas diferentes: Barthel index, IADL e SF-36 PFI. Foi observado um aumento nos valores de cada índice de acordo como o tempo de tratamento de fisioterapia. No estudo de Dam e colaboradores, segundo o Barthel index, houve melhora gradativa no escore durante 2 anos de tratamento. Resultado similar encontrado por Hui e colaboradores com acompanhamento durante 6 meses de tratamento.
O tempo de fisioterapia aplicada diariamente aos pacientes com seqüelas de AVE, tem sido muito discutido. No estudo de Weerdt e colaboradores a média de horas diárias entre dois centros de reabilitação foram de 2,5 horas por dia na Bélgica, 4 horas por dia na Suíça. Sendo que dessas horas diárias, na Bélgica, 1,92 horas são dedicadas à fisioterapia e na Suiça são gastas 3,08 horas diárias. Na revisão feita por Kwakkei e colaboradores a média do tempo gasto na fisioterapia foi de 48,6 minutos diários.
De acordo com outro estudo realizado no Brasil,  a média de tratamento foi de 10,8 meses para terapias individuais e 11,2 meses para terapias em grupo. Neste estudo feito em pacientes hemiplégicos atendidos no Lar Escola São Francisco, que freqüentavam a terapia durante 1 hora 2 vezes por semana foi observado que o tempo de permanência na instituição variou de 2 meses a 2 anos, que é uma média muito acima da encontrada na literatura mundial. 


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